PRIMEIRAS
HABILIDADES A SEREM DESENVOLVIDAS
NA EDUCAÇÃO
INFANTIL
O ser humano constrói sua aprendizagem por
estágios, e experiências diversas.
Diante
deste viés dinâmico, há necessidade de priorizar eventos baseados na evolução
natural da criança, oferecendo-lhe oportunidades de desenvolver habilidades
específicas, necessárias para que possa chegar ao campo da alfabetização com
segurança.
Para que as metas sejam realmente
alcançadas há necessidade de estimular intensamente os aspectos:
- Percepção;
- Esquema corporal;
- Orientação espacial e temporal;
- Coordenação motora;
- Linguagem oral e composição.
DESENVOLVIMENTO
DA PERCEPÇÃO:
As percepções provem de várias sensações: visuais, auditivas, táteis, olfativas
e gustativas. O processo de alfabetização requer um desenvolvimento acurado da
capacidade de percepção, em todos os seus aspectos, e sobre maneira da visual e
auditiva, o que exige da nossa parte uma atenção toda especial na elaboração e
apresentação das atividades. Sugerem-se atividades e jogos específicos para o
desenvolvimento de cada tipo de percepção:
1.
VISÃO
A
educação do sentido visual compreende a discriminação de semelhanças e
diferenças em: cor, tamanho, forma, posição, direção, detalhes internos e
externos, disposição, expressão, ação, complementação, camuflagem e perfis de
palavras.
O
ponto de partida deve ser a exploração do ambiente natural para discriminação
dos elementos nele existentes.
Sugestões:
- Abrir e fechar os olhos, para sentir a diferença
entre o claro e o escuro.
- Perceber os olhos passando a mão sobre eles. Nomear
objetos que vê;
- Separar tampinhas coloridas, botões ou outros
objetos, e guardá-Ios em vasilhas, classificando-os;
- Jogos com os blocos lógicos;
- Fazer gestos para serem imitados pelas crianças;
- Recompor uma gravura recortada em três ou mais
partes; recompor duas ou três gravuras recortadas ao meio;
- Formar pares de objetos iguais em um determinado
atributo (cor, forma, tamanho,
- detalhes, etc.);
- Explorar jogos para o desenvolvimento da memória
visual:
- Olho vivo (jogo do Kim): dispor
alguns objetos no centro. As crianças sentam em volta. Deixar as crianças observá-los
durante um minuto, e cobrir os objetos. Cada criança deverá mencionar os que
viram e memorizar. Variar, retirando ou acrescentando um ou mais objetos. As
crianças devem descobrir as modificações feitas pelo professor.
- Observação de colegas: um dos alunos é observado
usando acessórios como: agasalho, merendeira, chapéu, brinquedo ou lápis na
mão. Após alguns instantes, ele sai da sala e retira duas ou mais coisas. Ao
voltar, os colegas deverão descobrir o que foi retirado.
2.
AUDIÇÃO
A acuidade auditiva é necessária à
aquisição da linguagem. A criança deve adquirir concretamente a noção de
silêncio, som e barulho, discriminando sons quanto à intensidade: som forte,
normal e fraco.
Além das atividades propostas,
sugerir que o docente amplie as questões, sempre que julgar necessário.
Sugestões:
- Tampar o ouvido e perceber o silêncio;
- Fechar os olhos e destacar sons exteriores como:
conversas, ruídos de carros, buzinas, cantar de pássaros, etc.;
- De olhos vendados, caminhar em direção a sons
produzidos por palmas, campainhas, apitos, etc.;
- Dar batidas com o lápis ou régua em materiais
diversos para a criança identificar esses materiais. Ex.: batidas em ferro,
vidro, madeira, parede, lata, etc.;
- Imitar vozes de animais e o som característico de
carro, avião, trem, telefone, relógio, etc., observando gravuras:
- De olhos vendados ou de costas distinguir certos
instrumentos da bandinha como: pandeiro, triângulo, chocalho, etc., (após
ter-se familiarizado com os mesmos, ouvindo bem o seu som);
- Explorar atividades para o desenvolvimento da memória
auditiva, com rimas, quadrinhas, poesias e canções. Execução de ordens simples, ouvidas
somente uma vez, como: "Abra o armário e retire os pincéis de dentro da
caixa".
Repetição:
- de palavras (três ou quatro de cada
vez);
- de sentenças formadas de cinco ou
mais palavras;
- de fatos relacionados a uma história
muda.
Jogos como: cada menino escolhe o
nome de um animal. O professor diz: "Fui passear
em um sítio, pena que não
tinha boi"; o aluno que escolheu boi responde: "boi tinha, não
tinha vaca", outro diz: "vaca tinha, não
tinha cavalo". O jogo continua até esgotar todos
os nomes escolhidos.
3.
TATO
A criança, através de experiências,
vai descobrir como e por meio de que as sensações táteis são percebidas. É
necessário proporcionar-lhe diversas oportunidades para perceber as sensações
de frio, quente, gelado, molhado, úmido, seco, macio, mole, duro, etc.
Sugerem-se
atividades como:
- Separar objetos da sala de aula
conforme a textura, tamanho, peso, temperatura, consistência, usando sempre as
mãos para fazer tal seleção;
- Apresentar objetos de textura
diferente, em duplicata: dois lisos, dois rugosos, dois ásperos, etc. Sem
olhar, apenas pelo tato, a criança deverá formar os pares;
- Colocar amostras de tecidos (lã,
filó, seda, organdi, fustão) em duplicata para serem separadas duas a duas,
pelo tato (a criança não pode ver);
- Colocar dentro de uma sacola, de
tecido não transparente, vários objetos de formas e de materiais diversos, que
antes devem ser vistos pelos alunos. Uma criança de olhos vendados deverá
identificar os objetos, apalpando-os. Os objetos poderão, numa fase posterior,
ser colocados em duplicata dentro da sacola para serem pareados e retirados
após esse reconhecimento;
- Perceber as sensações de frio,
quente, gelado, macio, áspero, etc., não só nas mãos como também em outras
partes do corpo, associando as atividades ao esquema corporal.
4.
OLFATO
Deve ser feito um treino para a
criança identificar o órgão utilizado para sentir os odores e suas variações
(fortes e fracos, agradáveis e desagradáveis).
Sugere-se:
- Apresentar vidrinhos em duplicata com
substâncias diversas como: álcool, acetona, talco, vinagre, perfume, etc., para
a criança cheirar e formar os pares;
- Identificar, de olhos fechados,
flores e frutas conhecidas, pelo perfume.
5.PALADAR
A noção de gosto é adquirida pela
exploração dos órgãos do paladar: boca e língua.
Sugere-se:
- Deixar que a criança prove sal,
açúcar, caldo de limão, vinagre, etc., para verificar por onde sentimos o
sabor, perceber as diferenças e denominar cada um deles;
- Comparar o sabor de uma fruta verde
com o de uma fruta madura;
- Colocar na boca coisas como:
plástico, tecido, borracha, para perceber que não têm sabor.
Desenvolvimento
do esquema corporal:
A
criança precisa conhecer o seu próprio corpo e tomar consciência de suas
partes. Esse conhecimento é importante para o seu desenvolvimento psicomotor e
domínio do ambiente. Cada parte do corpo deve ser explorada separadamente.
Dentre
outras atividades a criança poderá:
- Observar o seu próprio corpo em um
espelho grande; localizar as partes maiores (cabeça, tronco, braços e pernas) e
as menores (olhos, boca, nariz, pescoço, braços, mão, dedos, unhas, etc.);
passar a mão sobre cada uma, para percebê-las e denominá-las; reconhecer essas
partes em outras pessoas, comparando com as suas;
- Brincar de estátua (a criança imita a
postura do professor);
- Completar figuras desenhadas parcialmente;
- Recompor uma figura humana, usando
recortes que representem suas partes;
- Colocar-se de pé, sentado e deitado,
denominando cada posição;
- Colocar-se à frente, atrás ou ao lado
de um ponto de referência;
- Recitar poesias e cantar canções,
acompanhando seu ritmo com movimentos corporais.
Desenvolvimento
das noções espaciais e temporais:
Ao mesmo tempo em que a criança vai
descobrindo o esquema corporal, vai também adquirindo as noções de espaço
(localização, posição, disposição e direção) e tempo (sequência, ritmo, ordem
do tempo: agora, antes, depois, hoje, amanhã, dia, noite, etc.).
Tais noções são importantes para o
aprendizado da leitura e escrita, pois ajudam o sujeito a perceber a sequência
e o ritmo das letras, ora subindo, ora descendo, ora grandes, ora pequenas, e a
seguir a direção certa para traçá-Ias. Propomos uma série de atividades que
ajudam a criança a desenvolver estas noções. O ponto de partida deve ser o
aproveitamento de situações reais, explorando o ambiente, os fenômenos da
natureza e o próprio corpo.
Desenvolvimento
da coordenação motora:
O preparo para a escrita se faz ao longo de toda a
fase pré-escolar por meio de exercícios que auxiliam o desenvolvimento dos
grandes e pequenos músculos.
Assim, quanto menor a criança, maior
ênfase deve ser dada a atividades realizadas ao ar livre como:
- Andar, correr, subir, descer, saltar
obstáculos, marchar, arremessar bolas, rolar pneus, rastejar dentro de túneis
ou manilhas, etc.;
- Brincar em balanços, zanga-burrinho,
trepa-trepa;
- Jogos de recreação, educação física e
ginástica historiada;
- Correr em situações que exijam
equilíbrio (segurando uma colher com um ovo dentro, ou um copo cheio de água).
No terceiro estágio, é necessária
uma atenção especial ao desenvolvimento da coordenação motora fina (pequenos
músculos) a fim de preparar a mão da criança para a escrita.
Atividades como:
- Jogos de encaixe: plic-plac, lig-Iig,
pinos mágicos, cubos de encaixar, etc.;
- Enfiar contas, carretéis e macarrão
em arames ou fios plásticos, etc.;
- Construções livres usando toquinhos,
caixas vazias, blocos lógicos, areia e outros materiais;
- Modelagem usando argila, massinha
plástica e massa de colar vidros;
- Desenho livre e pintura, manipulando
materiais diversos: lápis, bastões de cera, giz, pincel atômico, guache, tinta
para pintura a dedo, pincéis, esponjas, etc.;
- Rasgar, amassar e picar papel com as
pontas dos dedos, usando jornais e revistas;
- Recorte de figuras de revistas,
seguindo o contorno de desenhos feitos pelas próprias crianças ou pelo
professor, usando primeiramente as pontas dos dedos e depois a tesoura de ponta
redonda;
- Recorte livre e colagem usando
materiais diversos;
- Recorte dirigido seguindo o traçado
de linhas: retas, quebradas e sinuosas.
Linguagem
oral e composição:
A linguagem é uma função básica do
ser humano; surgiu da necessidade de comunicação. Compreende dois aspectos:
ouvir e falar, tornando-se fundamental para o processo de comunicação. Para que
a criança possa ser alfabetizada, precisa ter pensamento lógico organizado e
linguagem oral bastante desenvolvida.
Somente desta maneira poderá
comunicar-se com o ambiente exterior, aprender a ler e a escrever com
compreensão real, e não apenas mecanicamente.
As
atividades de linguagem oral enriquecem o vocabulário da criança e preparam-na
para a expressão escrita.
Sugere-se:
- Conversas informais e discussões
dando oportunidade às crianças de exporem experiências e trocarem ideias a
respeito da vida familiar, da escola, de brinquedos, de animais de estimação,
de plantas, etc.;
- Hora de surpresas ou novidades — um
aluno traz alguma coisa embrulhada para os colegas descobrirem o que é; alguns
alunos contam algo de novo que sabem;
- Pantomimas e dramatizações — feitas
espontaneamente desinibem a criança e desenvolvem a expressão corporal;
- Brinquedos dramatizados ou
imitativos: brincar de motorista, de médico, de professor, de dentista, etc.;
- Jornal falado — a apresentação das
notícias é feita pelos próprios alunos, por meio de um microfone improvisado ou
de uma televisão de madeira. Ao invés de notícias, poderão ser apresentados
cantos, poesias, histórias, etc.;
- Fantoches;
- Jogos de palavras, rimas, poesias,
teatro de sombra e coro falado.
- Histórias: relatadas pelo aluno e pelo
professor, enriquecidas ou não por gravuras e reálias: baseadas em gravuras de sentido
completo com narração do fato ali contido;
baseadas em cenas (histórias mudas)
para serem ordenadas em sequência;
Jogos como:
Lá vai a barquinha
Material:
um saquinho.
As
crianças sentam em semicírculo e escolhem qual deve ser a carga da barquinha:
flores, frutas, animais, alimentos, etc. Para iniciar, o professor arremessa o
saquinho a uma criança, dizendo-lhe: "Lá vai uma barquinha carregadinha de
... ". Tal jogador apanha o saquinho, completa a frase com o nome de uma
fruta ou animal, ou flor, conforme o que foi combinado) e o devolve rapidamente
ao professor, para que este o lance a outra. O saquinho deve ser jogado sem
obedecer a qualquer ordem de colocação dos jogadores.
Estou pensando: ... o professor diz, por exemplo:
"Estou pensando em mar." Cada criança indicada dirá o nome de uma
coisa relacionada ao mar (água, onda, areia, praia, conchinha, peixe, etc.).
Todas as atividades de linguagem
oral preparam o aluno para compor oralmente e por escrito. Participando de
situações autênticas de linguagem, a criança é estimulada a falar e enquanto
fala vai organizando as ideias para transmiti-las.
Proponho atividades graduadas para
que as crianças possam dominar a estrutura lógica da frase e chegar à expressão
criadora:
- Descrição e interpretação de
gravuras;
- Interpretação de cenas em sequência;
- Enumeração e ordenação dos fatos de
uma história;
- Previsão de ideias inseridas em uma
cena (princípio e fim);
- Composições orais à vista de gravuras
e histórias mudas criadas pelos alunos (em colaboração - cada aluno dá a sua
ideia) e escritas no quadro pelo professor.
Fonte: http://mariamasarelapsicopedagoga.blogspot.com/2013/07/primeiras-habilidades-serem.html